Secretaria Especial de Cultura publicou portaria com decisão nesta segunda-feira. Governo considera que exigência impõe “discriminação”

O secretário especial de Cultura, ator Mario Frias, vetou a exigência de comprovação de imunização contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em projetos financiados pela Lei Rouanet.

Na prática, o chamado “passaporte da vacina” não poderá ser cobrado durante a produção e execução de filmes e peças teatrais, por exemplo.

A portaria com a determinação foi publicada nesta segunda-feira (8/11) no Diário Oficial da União (DOU).

“Fica vedado pelo proponente a exigência de passaporte sanitário para a execução ou participação de evento cultural a ser realizado, sob pena de reprovação do projeto cultural e multa”, destaca trecho do texto.

Mesmo em casos de legislação estadual ou municipal, os projetos financiados pela Lei Rouanet terão de ser adequados, por exemplo para o digital, por considerar que a cobrança impõe “discriminação entre vacinados e não vacinados”.

“Os projetos culturais que comprovarem a adoção dos protocolos de medidas de segurança, para prevenir a Covid-19, tais como, aferição de temperatura, exame de testagem para Covid e uso de materiais de higiene, terão prioridade na análise de homologação de admissibilidade”, frisa a portaria.

Para a comunidade médico-científica, quem não está imunizado deve ter restrições de circulação. A medida é uma forma de diminuir os riscos de contaminação.

Na prática, o documento é necessário para quem quer ter acesso a eventos, shoppings, restaurantes, shows, academia e outros espaços de uso comum.

O certificado, normalmente digital, é obtido por aplicativo do Ministério da Saúde ou emitido pelo site das prefeituras.

Exigência

Capitais, como São Paulo, Manaus, Palmas, Porto Velho e Rio de Janeiro, já cobram o documento. Alguns destinos turísticos, como é o caso de Fernando de Noronha (PE), também exigem o comprovante.

Em um levantamento feito pelo Metrópoles, 65,5% dos 252 parlamentares que participaram da pesquisa se mostraram favoráveis ao passaporte e 19,8% se disseram contrários.

Polêmica no governo

O presidente Jair Bolsonaro  é um crítico ferrenho da exigência da comprovação de vacinação, alvo de inúmeros ataques. , até mesmo na Organização das Nações Unidas (ONU).

O Ministério do Trabalho e Previdência editou uma portaria que proíbe empregadores de demitir funcionários que não estão vacinados contra a Covid-19. O governo considerou “discriminatória” a exigência da comprovação de imunização em processos seletivos e contratações.

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) passaram a exigir comprovante de imunização contra a Covid-19 de servidores e visitantes.

Depois da decisão, o Palácio do Planalto passou a cobrar a comprovação de imunização para servidores do grupo de risco