Ministro do STF havia determinado que presidente prestasse depoimento à PF nessa sexta, mas Bolsonaro descumpriu decisão
Após não comparecer ao depoimento da investigação que apura o vazamento de informações sigilosas durante uma transmissão ao vivo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado (29/1) que “está tudo na paz”.
A declaração foi feita durante visita à feira da Catedral Metropolitana de Brasília, após ser questionado se comentaria o inquérito. “Não, não, tá tudo em paz, tudo tranquilo, aí, tá ok?”, respondeu.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que Bolsonaro prestasse depoimento à Polícia Federal na tarde dessa sexta-feira (28/1). O presidente, no entanto, não compareceu e entrou com um recurso no Supremo para que ele não fosse obrigado a comparecer ao depoimento. Minutos depois, Moraes negou o pedido.

“Tudo tem um limite. Eu jogo dentro das quatro linhas, e quem for jogar fora das quatro linhas não vai ter o beneplácito da lei. Se quiser jogar fora das quatro linhas, eu jogo também”, disse o presidenteRafaela Felicciano/Metrópoles

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A relação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com o presidente Jair Bolsonaro é, de longe, uma das mais tumultuadas do cenário político brasileiroGetty Images
No capítulo mais acalorado, no último 7 de Setembro, o presidente chamou o ministro de “canalha” e ameaçou afastá-lo do cargo Reprodução
“Sai, Alexandre de Moraes, deixe de ser canalha, deixe de oprimir o povo brasileiro”, disse o presidente diante de uma multidãoFábio Vieira
Moraes também é relator de inquéritos em que o presidente e vários de seus aliados aparecem como investigados Daniel Ferreira/Metrópoles
Mesmo assim, como o presidente não indicou a data do depoimento, o ministro marcou para essa sexta, conforme prometido.
Em agosto do ano passado, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro divulgou a íntegra de um inquérito da Polícia Federal sobre um suposto ataque ao sistema interno da Justiça Eleitoral em 2018. Segundo o próprio TSE, a tentativa de invasão não representou qualquer risco às eleições.
Atendendo a um pedido da Justiça Eleitoral, Moraes atendeu a um pedido do TSE e abriu um inquérito para investigar o caso. Segundo o ministro, as informações não poderiam ter sido divulgadas sem autorização da Justiça
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