Agricultores e agricultoras conheceram experiências agroecológicas na Horta Arara e no Sistema Agroflorestal do Senhor Milú

Em um momento de emoção e conhecimento, agricultores e agricultoras familiares beneficiários do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), implantado em Pedro II e região pelo Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), participaram de um intercâmbio intermunicipal que está transformando a agricultura familiar no Semiárido.

A iniciativa fortalece a agroecologia com a produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, valorizando saberes tradicionais, preservando a biodiversidade e as sementes da fartura.

Na Horta Arara, os participantes conheceram a diversidade de cultivos do agricultor familiar Walmir Moreira: milho, melancia, coentro, cebolinha, macaxeira, mamão, pimenta-de-macaco, caju, manga, alho e cebola — produtos que seguem frescos para a merenda escolar e as feiras comunitárias.

A história de Walmir é inspiração. Como muitos nordestinos, ele migrou para São Paulo em busca de oportunidades. Trabalhando em restaurante, comprou um terreno e, há oito anos, mostra que é possível gerar renda com produção agroecológica.

” Só quero agradecer ao CERAC por esse momento. Cada visita que a gente recebe aqui é única, cada um vem com uma história diferente. É muito bom.”

Há 14 anos, a agricultora Cíntia Sousa deixou São Paulo para viver na comunidade Ingazeira, em Pedro II. Ela foi contemplada com uma cisterna de enxurrada que armazena 52 mil litros de água da chuva, usada para quintais produtivos e criação de animais. O intercâmbio reforçou sua confiança na agricultura familiar sustentável.

“Eu vim morar no Piauí devido ao meu marido. E por causa disso eu estou plantando, criando, aprendendo muitas coisas diferentes, como sobre a cisterna e todos os benefícios que ela traz, como o intercâmbio, onde pude aprender sobre o cultivo de maracujás, melancia, milho.”

Na comunidade Virgínia, o agricultor Francisco José da Silva celebrou o fim da dificuldade de acesso à água e o incentivo à produção agroecológica.

“Para mim está sendo muito importante porque eu estou tendo muito conhecimento e o benefício da água que chegou pra gente, porque a dificuldade de água na comunidade é muito grande e com a cisterna é só alegria.”

No segundo momento do intercâmbio, os participantes visitaram a agrofloresta do senhor Milú, hoje cuidada por seus filhos. Geovane Sousa apresentou a produção diversificada e o sistema de reuso de águas cinzas, usadas na irrigação por gotejamento das frutíferas.

“De um certo tempo para cá tem sobrado muita coisa para vender. Quero dizer para vocês que levem essa ideia do quintal produtivo. Não sei se vocês perceberam, mas aqui até o clima é melhor. Esse ambiente agroflorestal, de árvores altas, além de gerar renda, você trabalha na sombra e tem material de sobra para cobrir o solo, não tem mato e não precisa queimar. O segredo é observar a natureza e copiar o que ela faz, que vai dar certo.”

A coordenadora do programa P1+2, Daniele Tabajara, reforçou:

“O intercâmbio intermunicipal permite que os beneficiários colham aprendizados e experiências valiosas, como frutos que poderão nutrir e fortalecer seus projetos produtivos.”

O intercâmbio acontece entre os dias 25 e 26 de setembro e inclui ainda visita à Ecoescola Thomas à Kempis, uma escola agrícola que reúne produção diversificada e busca fortalecer a permanência dos jovens no campo.

O CERAC, em parceria com o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, a ASA e o Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS), está finalizando a entrega, em Pedro II, de 76 tecnologias de convivência com o Semiárido:

2 barragens subterrâneas

20 cisternas de enxurrada

54 cisternas calçadão

Além das tecnologias e formações sobre produção agroecológica, gênero e geração de renda, os agricultores e agricultoras recebem o Fomento Rural, um incentivo financeiro de R$ 4.600 para ampliar suas produções.