O Programa Agrobiodiversidade foi lançado nessa quinta-feira (6), em Pedro II (PI), na Escola Família Agrícola Santa Ângela, por meio de uma parceria entre a Embrapa Meio-Norte e o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC). Na ocasião, também foi formado o Comitê Territorial da iniciativa.
O programa tem como objetivo fortalecer e valorizar as estratégias de convivência com o Semiárido, desenvolvidas pelas famílias agricultoras, a partir do uso e da valorização da socioagrobiodiversidade. Entre as ações previstas estão o monitoramento das Casas e Bancos de Sementes e a preservação das Sementes da Fartura nos territórios dos Cocais e Carnaubais.
Segundo Francisco Oliveira, da Embrapa Meio-Norte, a missão é garantir que as sementes continuem sendo um patrimônio vivo e acessível às famílias agricultoras.
“O nosso projeto tem como objetivo valorizar e fortalecer as estratégias de conservação das sementes crioulas, por meio dos bancos comunitários e das casas de sementes presentes nos territórios. Para isso, nós estamos organizados em quatro eixos principais: gestão, estruturação, capacitação e comercialização. Ao longo desses dois anos, vamos desenvolver diversas atividades dentro desses eixos, sempre com a participação de várias entidades parceiras.”
O coordenador do CERAC e do Programa Estadual das Sementes da Fartura, José Maria Saraiva, destacou a importância dessa atuação conjunta para o fortalecimento das comunidades e da biodiversidade do Semiárido.
“Vamos atuar dentro das casas de sementes com as famílias para descobrir o que realmente temos de variedades crioulas e como preservá-las, para que as futuras gerações também possam ter acesso a esse valioso patrimônio que são as Sementes da Fartura. Sem as Sementes da Fartura, não somos nada. Ou a gente cuida dessas sementes, ou não teremos comida de verdade no futuro e um Semiárido preservado e justo para todos.”
O diretor de Agroecologia e Assistência Técnica da SAF/PI, Antônio Pereira, que também integra o comitê territorial, reforçou o compromisso da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar no fortalecimento das Casas de Sementes.
“A SAF já vem fazendo esse trabalho juntamente com as Casas de Sementes, através do CERAC, e agora vamos potencializar esse processo de conservação e preservação das Sementes da Fartura. Há uma necessidade no mundo de que as sementes crioulas sejam preservadas , por isso é tão importante o trabalho dos guardiões e guardiãs das Sementes da Fartura.”
O Comitê Territorial do Programa é composto por agricultoras e agricultores familiares, pesquisadores, técnicos, representantes sindicais e de associações comunitárias, além de membros da Escola Família Agrícola Santa Ângela e das Casas de Sementes da Fartura.
A agricultora familiar e guardiã das sementes da comunidade Pedra Branca, Maria da Luz de Oliveira, falou sobre o orgulho de preservar esse legado.
“Para a gente que vive no Semiárido, ela é tudo. Além de ser uma semente resistente, é uma semente que prova a nossa identidade, a nossa cultura e nos fortalece ainda mais, mostrando que viver no Semiárido é muito bom.”
A agricultora Solange Chaves, que ministra aulas de agroecologia para os guardiões e guardiãs mirins da comunidade Pedra Branca, destacou a importância de envolver as novas gerações nesse processo.
“É muito importante juntar as crianças para que elas tenham a oportunidade de ver o trabalho dos agricultores com as Sementes da Fartura. Aos poucos, vamos envolvendo as crianças para que não percam a cultura dos antepassados.”
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o CERAC, Embrapa, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, BNDES e Funarbe, unindo esforços em prol da preservação da agrobiodiversidade e da soberania alimentar no Semiárido.