A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo IBGE, aponta que 17,5%
dos estudantes piauienses de 13 a 17 anos de idade já sofreram violência sexual. Na última edição da
pesquisa, realizada em 2019, essa proporção havia sido de 12,8%, aumento de 4,7 pontos percentuais
em 2024. Segundo os alunos, de escolas públicas e privadas, alguma vez na vida alguém o(a) tocou,
manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade. No Brasil, o indicador foi de 18,5% em
2024, contra 14,6% em 2019. Entre os estados, o Piauí registrou a quinta menor proporção. Os
estados com os maiores indicadores foram: Amapá (26,3%) e o Amazonas (22,9%). Os menores
indicadores ficaram com Minas Gerais (16,3%) e o Rio Grande do Norte (16,3%).
Quanto à autoria da violência sexual, a maior parte teve como agente uma pessoa próxima ou mais
íntima das vítimas, onde o destaque foram “outros familiares”, citados por 28% dos estudantes. Na
sequência tivemos: outro conhecido (23,6%); amigo/a (20,2%); namorado(a), ex-namorado(a), ficante,
crush (19,8%); e pai, mãe, padrasto, madrasta (9,7%). A autoria dos atos de violência sexual por uma
pessoa desconhecida foi citada por 25,2% dos estudantes. Considerando que os casos de violência sexual
podem ter ocorrido mais de uma vez e, inclusive, terem sido praticado por pessoas diversas, os escolares
puderam identificar mais de um autor.
Ainda segundo a pesquisa do IBGE, enquanto 11,9% dos estudantes do sexo masculino
informaram ter passado por essa situação, a proporção chega a 22,9% entre as estudantes do sexo
feminino. Os indicadores são levemente mais altos entre alunos da rede pública de ensino (17,6%) do que
entre os da rede privada (17%).
Casos de estupro foram informados por 11% das mulheres e 7,1% dos homens
Cerca de 9,1% dos estudantes piauienses de 13 a 17 anos de idade foram obrigados a ter relação
sexual contra a sua vontade. No Brasil, a média foi de 8,8% e na região Nordeste, de 8,7%.Entre os
estudantes piauienses do sexo masculino, o percentual foi de 7,1% e entre os do sexo feminino, de 11%.
Os casos foram mais elevados entre os alunos da rede pública de ensino (9,6%) do que da rede privada
(5,1%). Em 84,8% dos casos de relação sexual forçada, o aluno tinha 13 anos ou menos de idade
quando ocorreu a violência.
Para esse tipo de agressão, 68,8% dos autores eram pessoas próximas dos estudantes.
Especificamente dentre as pessoas conhecidas da vítima de estupro, o principal autor da agressão foi o
namorado/a, ex-namorado/a ou ficante, para 24,2% dos estudantes. Em seguida vinham outras pessoas
da família (20,6%); outra pessoa conhecida (17,9%); amigo/a (15,1%); e pai, mãe, padrasto, madrasta
(10,2%). Cerca de 31,2% dos estudantes relataram que o estupro teve autoria de pessoa desconhecida.
Quatro em cada dez estudantes piauienses sofreram bullying na escola
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 informa que 41,8% dos estudantes
piauienses, de 13 a 17 anos de idade, de escolas públicas e privadas, relataram relataram ter sofrido pelo
menos uma situação de humilhação por provocação de colegas. Essa proporção, inclusive, é maior que a
registrada na edição anterior da pesquisa em 2019, quando havia sido de 39,6%, um aumento de 2,2
pontos percentuais.
Entre os motivos das humilhações sofridas pelos estudantes piauienses, os dois mais citados
foram: a aparência do rosto ou do cabelo (29,8%), e a aparência do corpo (20,7%). Em seguida temos:
cor ou raça (13,2%); sotaque ou jeito de falar (10,8%); roupas, calçados, mochila ou material escolar (9%);
religião (5,8%); identidade de gênero ou orientação sexual (5,5%); deficiência (3,3%); outros motivos
(35,5%). Cerca de 25,8% dos estudantes informaram, ainda, que não teria havido ou não saberia o motivo
das humilhações sofridas pelos colegas.
No Brasil, a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que se sentiram humilhados pelos colegas
foi de 40,3%, pouco menor que a proporção registrada para o Piauí (41,8%). Entre os motivos das
humilhações sofridas pelos estudantes do país, os mais citados foram: a aparência do rosto ou cabelo
(30,2%); a aparência do corpo (24,7%); roupas, sapatos, mochila ou material escolar (10,1%).
Bullying sofrido através da internet
Cerca de 13,8% dos estudantes piauienses, de 13 a 17 anos, reportaram que se sentiram
ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes sociais ou aplicativo de celular. O bullying pela internet
foi reportado por 14% dos estudantes do sexo feminino e por 13,6% do sexo masculino. Cerca de 14,5%
dos estudantes de escola pública sofreram bullying pela internet, contra 8,8% dos estudantes de escolas
privadas.
Bullying infligido aos colegas de escola
Cerca de 12,6% dos estudantes piauienses de 13 a 17 anos informaram a prática de algum tipo de
violência verbal contra seus colegas de escola, reconhecendo, inclusive, que eles se sentiram humilhados
ou ofendidos. A prática do bullying foi maior entre os estudantes do sexo masculino (14,7%) do que entre
o sexo feminino (10,6%). Nas escolas públicas, 12,4% dos estudantes informaram a prática de bullying,
enquanto nas escolas privadas foi de 14%.
Piauí tem o segundo menor indicador do país de estudantes que já usaram drogas ilícitas
Em 2024, o Piauí foi o estado com o segundo menor indicador do país de estudantes que já
experimentaram drogas ilícitas alguma vez na vida. A proporção foi de 4,7% do total de estudantes
piauienses de 13 a 17 anos de idade. Na última edição da Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar
(PeNSE), em 2019, esse indicador havia sido de 7,4%, o que denota uma redução de 2,7 pontos
percentuais em 2024. No Brasil, em 2024, a proporção chegou a 8,3%.
Apenas o estado da Bahia apresentou um indicador inferior ao apresentado pelo Piauí, tendo
registrado 4,3%. Os maiores indicadores entre as unidades da federação foram: Distrito Federal (12,2%),
Rio Grande do Sul (11,4%), e Espírito Santo (10,5%). Considerando as médias das cinco Grandes Regiões
brasileiras, o Sul vem em primeiro lugar (9,8%), seguido do Sudeste (9,4%), Centro-Oeste (8,7%), Norte
(7%) e Nordeste (6,1%).
No Piauí, a proporção de estudantes que usaram drogas ilícitas alguma vez na vida é maior entre
os homens (5,1%) do que entre as mulheres (4,2%). Também é superior entre alunos de escolas públicas
(4,8%) do que entre aqueles que frequentam instituições privadas (4%). Ainda de acordo com a pesquisa,
cerca de 7,7% dos estudantes tinham amigos que usaram drogas ilícitas na presença deles nos 30 dias
que antecederam à realização da pesquisa. Merece ser destacado, ainda, que cerca de 2% dos
estudantes adolescentes utilizou drogas ilícitas pela primeira vez com 13 anos de idade ou menos.
Piauí tem o segundo menor indicador do país de estudantes que já experimentaram
bebida alcoólica, contudo 4 em cada 10 estudantes já fizeram uso da bebida
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, apontou que o Piauí registrou o
segundo menor indicador de estudantes do país, de 13 a 17 anos de idade, que já experimentaram bebida
alcoólica alguma vez na vida. Contudo, apesar desse indicador, a pesquisa levantou que cerca de 43,1%
dos estudantes já fez uso de álcool. O indicador observado para o Piauí foi superior apenas ao registrado
para o estado do Amapá (42,6%). No Brasil, a média observada foi de 53,6%. As unidades da federação
com os maiores indicadores foram: Rio Grande do Sul (65,9%), Santa Catarina (62,8%) e Paraná (57.7%).
Entre os estudantes de 13 a 17 anos, as mulheres foram as que mais experimentaram bebida
alcoólica alguma vez, para 44% delas, enquanto a proporção dos homens foi de 42,1%. Os estudantes
de escolas da rede privada de ensino foram os que apresentaram maior proporção de já terem
experimentado bebida alcoólica, para 46,4% deles, enquanto para os estudantes da rede pública a
proporção foi de 42,6%.
Merece ser destacado, ainda, que 21,4% dos estudantes piauienses, o equivalente a 1 em
cada 5 estudantes, informou ter tomado a primeira dose de bebida alcoólica com 13 anos ou menos
de idade. A média registrada para o Brasil foi de 29,3% dos estudantes. Entre as unidades da federação
os maiores indicadores ficaram com: Paraná (33,9%) e Rondônia (33,7%). Os menores indicadores
ficaram com: Amapá (19,8%) e Maranhão (19,9%).
A pesquisa informa, ainda, que 35,5% dos estudantes piauienses de 13 a 17 anos informou
que já sofreu algum episódio de embriaguez. No Brasil essa proporção dos estudantes chegou a 41,4%.
Os maiores indicadores do país ficaram com: Rio Grande do Sul (46.6%) e Roraima (46,1%). Os menores
indicadores ficaram com: Piauí (35,5%) e Rio Grande do Norte (36,2%).
Cerca de um a cada três estudantes piauienses de 13 a 17 anos já tiveram relação sexual
e maior parte dos estudantes já recebe orientação da escola sobre prevenção de gravidez
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em 2024, aponta que
30% dos estudantes piauienses, de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas do estado, informaram
que já tiveram relações sexuais, proporção menor que a observada na última edição da pesquisa em
2019, quando foi registrado 31,9%. Entre os estudantes do sexo masculino a proporção foi de 38,5%,
enquanto entre os do sexo feminino foi de 21,8%. Os estudantes de escolas da rede pública apresentaram
uma proporção maior, de 31,5%, enquanto os da rede privada foi de 19%.
A proporção de estudantes que já tiveram relações sexuais no Piauí (30%) foi a nona menor entre
as unidades da federação. A média brasileira ficou em 31,5%. Entre os estados, as maiores proporções
ficaram com: Amazonas (40,6%), Acre (40,5%) e Amapá (38,5%). As menores proporções ficaram com:
Paraíba (25,6%), São Paulo (27,1%) e Alagoas (27,9%).
Merece ser destacado que para 40,3% dos estudantes piauienses que já haviam tido relação
sexual alguma vez, sua primeira relação sexual foi com 13 anos ou menos de idade. A proporção é
maior para os estudantes do sexo masculino (46,6%) do que entre os do sexo feminino (29,6%). No Brasil
a média foi de 36,8% dos estudantes e na região Nordeste, de 38%. A proporção registrada no Piauí foi a
oitava maior do país e a segunda maior da região Nordeste. Os maiores indicadores foram de Tocantins
(44,3%) e Roraima (43,7%). Os menores indicadores foram do Rio Grande do Sul (25,3%) e de Santa
Catarina (25,9%).
Orientação sobre a prevenção da gravidez na escola
A pesquisa aponta que em 2024 cerca de 62,9% dos alunos piauienses, de 13 a 17 anos,
receberam orientação na escola sobre prevenção à gravidez. Essa proporção é menor do que a registrada
na última edição da pesquisa em 2019, quando havia chegado a 75,5% dos alunos. No Brasil, a média
dos alunos que receberam orientação sobre prevenção à gravidez na escola foi de 66,7% e na região
Nordeste, de 65,8%. Os estados com os maiores indicadores foram: Amazonas (75,1%) e Ceará (69,9%).
Os menores indicadores ficaram com: Rio Grande do Norte (59,7%) e Roraima (61,2%).
Em 2024, dentre os estudantes piauienses de 13 a 17 anos que tiveram relações sexuais, cerca
de 63,9% deles afirmaram ter utilizado preservativo em sua última relação sexual, maior proporção entre
todos os estudantes do país. No Brasil essa proporção foi de 57,2% e na região Nordeste, de 56,3%.
Além do preservativo, os estudantes piauienses utilizaram ainda outros métodos para evitar a
gravidez na sua última relação sexual. Assim, 51,5% dos estudantes utilizaram pílula anticoncepcional;
14,3% utilizaram a pílula do dia seguinte; 4,7% utilizaram anticoncepcional injetável; 17,2% usaram outros
métodos; e 11,8% não soube informar o método anticoncepcional utilizado.
Orientação sobre a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis na escola
A pesquisa informa que 66,2% dos estudantes piauienses, de 13 a 17 anos, receberam orientação
na escola sobre HIV/AIDS ou outras infecções sexualmente transmissíveis. A proporção verificada no Piauí
foi a quarta menor entre os estados do país. A média registrada no Brasil foi de 71,4% e na região
Nordeste, de 69,7%. A proporção de estudantes que recebeu orientação nas escolas da rede pública de
ensino foi de 64,8%, inferior ao observado entre os estudantes da rede privada, de 75,5%.
Após o ensino médio, maioria dos jovens piauienses pretende trabalhar e continuar os
estudos
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 aponta que a maioria dos estudantes
piauienses do ensino médio, cerca de 61,6% deles, após encerrar seu ciclo de estudos, pretendia continuar
estudando e ao mesmo tempo ter uma ocupação no mercado de trabalho. Outros 13,7% dos estudantes
tinha a intenção de apenas estudar, enquanto 11,7% dos estudantes pretendia somente trabalhar. A
pesquisa informa, ainda, que 6,3% dos estudantes tinham outros planos e 6,8% não sabiam o que fazer
após a conclusão do ensino médio.
No Brasil, após o ensino médio, a maioria dos estudantes também pretendia conciliar estudos com
uma ocupação no mercado de trabalho, para 62,7% dos estudantes, proporção pouco acima da registrada
para o Piauí. Na sequência, 11,1% dos estudantes pretendia apenas trabalhar; outros 9% somente
trabalhar; 10,1% pretendiam seguir outros planos e 7,1% não sabiam o que fazer após encerrar os
estudos.
Mais sobre a pesquisa
O IBGE apresenta os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE, que em
2024 está em sua 5ª. edição. A pesquisa é realizada em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o
apoio do Ministério da Educação – MEC. A PeNSE fornece informações para o sistema de vigilância de
fatores de risco e proteção para a saúde dos escolares, do Ministério da Saúde, com dados atualizados
sobre a prevalência e a distribuição desses fatores no público-alvo.
A pesquisa é realizada por amostragem e visitou escolas da rede pública e privada de ensino em
todos os estados do país. São apresentados resultados para o Brasil, grandes regiões, unidades da
federação e municípios das capitais.
A PeNSE 2024 pode contribuir de maneira mais objetiva e direta para a elaboração de políticas e
estratégias de gestão nas diversas esferas administrativas, aprimorando a identificação e o
acompanhamento de fatores relacionados ao desenvolvimento biopsicossocial e de exposição às
condições de risco para esse grupo etário dos estudantes brasileiros, além de permitir uma melhor
comparabilidade com indicadores internacionais.
