Produção agroecológica, efeitos da crise climática, importância da agricultura familiar e saberes tradicionais das comunidades são temas da Capacitação em Sistema Simplificado de Manejo da Água para Produção de Alimentos, realizada no Quilombo Marinheiro, zona rural de Piripiri-PI, entre os dias 08 e 10 de abril.

Os três dias de encontro contam com a participação ativa de vinte e três agricultores e agricultoras familiares dos quilombos Marinheiro e Vaquejador, beneficiários do Programa Uma Terra e Duas Águas, da Articulação Semiárido Brasileiro, com apoio do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, executado pelo Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), com apoio do MDS.

O P1+2 tem como objetivo fortalecer a segurança hídrica das famílias agricultoras, por meio da implantação de tecnologias sociais de captação de água da chuva para ser destinada à produção de alimentos no período de estiagem, que se intensifica de julho a dezembro.

O programa contempla cisternas dos tipos calçadão e enxurrada, ambas com capacidade para armazenar 52 mil litros de água da chuva, o que visa garantir segurança hídrica para o cultivo de hortaliças orgânicas e a criação de pequenos animais, como aves, suínos e caprinos, com a missão principal de assegurar a soberania alimentar das famílias do Semiárido.

Também a barragem subterrânea, popularmente chamada de “caixa d’água do Sertão”. Por meio dela, é criada uma parede dentro do subsolo, com o objetivo de reter água no solo, possibilitando o plantio de arroz, milho, feijão, macaxeira e plantas forrageiras durante o período seco.

Quilombola da comunidade Marinheiro, Ana Maria Silva vai receber uma cisterna calçadão em seu quintal produtivo. Ela destaca os benefícios das capacitações do P1+2, que reforçam os saberes ancestrais e a produção sem venenos.

“As capacitações são maravilhosas, de muito aprendizado sobre sementes da fartura, sobre como plantar sem agredir a natureza, principalmente sem o uso de agrotóxicos”, conta.

Domingos dos Santos é quilombola e reside no Quilombo Vaquejador. Também é beneficiário do P1+2 e está muito animado com a conquista da cisterna de produção.

“A cisterna é uma conquista muito importante para a nossa luta. Com ela, podemos fazer nossas hortas sem agrotóxicos, melhorando nossa alimentação e gerando renda para nós”, ressalta.

Além do implemento, os agricultores e agricultoras serão contemplados com o Fomento Rural, que garante R$ 4.600 para que as famílias possam ampliar seus quintais produtivos, fortalecendo a convivência justa e sustentável com o Semiárido.

Francisco Rodrigues, animador de comunidades do CERAC e técnico em agropecuária, destaca os critérios do programa:

“O P1+2 tem critérios claros, como chegar às famílias que mais necessitam de água para produção de alimentos saudáveis no Semiárido, bem como mulheres chefes de família e comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas”, esclarece.

No município de Piripiri, estão sendo construídas 59 cisternas-calçadão, 9 cisternas de enxurrada e 1 barragem subterrânea, totalizando 69 tecnologias sociais que vão beneficiar famílias que já possuem a cisterna de consumo do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).