Meteorologista explica porque Prefeitura registra temperaturas mais elevadas que o Inmet
A Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Articulação Institucional (SEMAI) e da Agenda Teresina 2030, registrou nesta quarta-feira (7), na Rede Hiperlocal de Monitoramento Ambiental, a maior temperatura observada desde o início da série, em abril de 2026. Até as 15h13, os seis pontos monitorados na capital haviam alcançado temperaturas iguais ou superiores a 40 °C.
O maior valor ocorreu na região do bairro Primavera, pelo equipamento instalado na Fundação Municipal de Saúde (FMS): 45,22 °C, às 14h13. No mesmo ponto, a umidade relativa chegou a 16,52%. O registro supera os 43,98 °C observados no dia anterior, também na região do bairro Primavera.
Os dados indicam que o episódio não se restringiu a um pico isolado. Na área monitorada pela FMS, as médias de 15 minutos permaneceram acima de 44 °C durante aproximadamente uma hora. Entre 14h e 14h30, por exemplo, foram registradas médias de 44,86 °C e 44,85 °C, com umidade abaixo de 17%.
O calor intenso também se espalhou pelos demais pontos da rede. A temperatura chegou a 42,86 °C na região da Santa Maria da Codipi; 41,73 °C no Centro; 41,27 °C na região do Itararé; 40,56 °C na Zona Sul; e 40,44 °C na Zona Leste.
Para o coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, a abrangência e a persistência do episódio reforçam a importância do monitoramento contínuo.
“O que chama atenção não é apenas o recorde de 45,22 °C, mas a persistência de temperaturas muito elevadas e o fato de todos os pontos monitorados terem alcançado 40 °C ou mais. Esses dados mostram a importância de transformar o monitoramento em informação para prevenção e para o planejamento das políticas públicas, especialmente diante dos impactos do calor sobre a saúde e os grupos mais vulneráveis”, destaca.
Os dados desta quarta-feira são parciais e serão incorporados ao Relatório Técnico de Qualidade do Ar e Condições Microclimáticas de outubro.
Entenda o que mostram as diferentes medições em Teresina
Os registros de temperatura feitos pela Rede Hiperlocal de Monitoramento Ambiental da Prefeitura de Teresina e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) podem apresentar diferenças. Isso ocorre porque as redes possuem finalidades, locais de instalação e condições de exposição diferentes.
Na terça-feira (6), o Inmet registrou 41 °C em Teresina, maior temperatura observada no Brasil naquele dia. No mesmo dia, o sensor da Prefeitura instalado na região do bairro Primavera chegou a 43,98 °C. Já nesta quarta-feira (7), a Rede Hiperlocal estabeleceu novo recorde da série municipal: 45,22 °C, às 14h13, também na região do bairro Primavera.
A diferença está, principalmente, naquilo que cada rede procura representar. As estações meteorológicas convencionais seguem critérios padronizados de instalação e exposição, fundamentais para permitir comparações entre cidades, regiões e séries históricas. A Organização Meteorológica Mundial destaca que a localização e a exposição dos instrumentos são determinantes para a representatividade das medições meteorológicas.
Já o monitoramento hiperlocal busca identificar variações dentro da própria cidade. Em áreas urbanizadas, características como pavimentação, edificações, cobertura vegetal, sombreamento, ventilação e materiais das superfícies podem produzir microclimas distintos em poucos quilômetros.
Por isso, o dado do Inmet continua sendo a principal referência para a temperatura meteorológica oficial e para comparações climatológicas, enquanto os sensores municipais acrescentam uma escala territorial mais detalhada, capaz de revelar onde o calor se torna mais intenso no ambiente urbano.
Para o coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, os dois sistemas são complementares. “Não estamos diante de informações concorrentes, mas de escalas diferentes de observação. O Inmet nos oferece a referência meteorológica oficial, indispensável para a climatologia. A Rede Hiperlocal permite enxergar como o calor se distribui dentro da cidade e identificar territórios onde as condições podem ser mais severas. Para o planejamento urbano e para a prevenção em saúde, conhecer essas diferenças é extremamente importante.”
Os dados de quarta-feira reforçam essa função. Na região do bairro Primavera, além do pico de 45,22 °C, as médias de 15 minutos permaneceram acima de 44 °C por aproximadamente uma hora, demonstrando que o episódio não se resumiu a uma leitura isolada.
A Prefeitura ressalta, entretanto, que temperatura medida não é sinônimo de sensação térmica. A carga de calor sobre o corpo também depende de fatores como umidade, vento, radiação solar, atividade física e exposição direta ao sol. Dessa forma, as duas redes devem ser interpretadas de acordo com sua finalidade e, em conjunto, ajudam a compreender com maior precisão os efeitos do calor extremo em Teresina.
Diante das condições observadas, a Prefeitura reforça medidas como hidratação frequente, redução da exposição direta ao sol, permanência em locais sombreados e ventilados, adequação dos horários de atividades ao ar livre e a não realização de queimadas ou queima de resíduos. A combustão de lixo, folhas, podas e outros materiais pode provocar incêndios, agravar a poluição do ar, aumentar a concentração de material particulado e ampliar os riscos à saúde, especialmente em períodos de calor intenso e baixa umidade. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao calor exigem atenção especial.
