Nesta quinta-feira (20), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público ouviu o empresário Afrânio Euclides, dono da Emvipi, uma das empresas que prestam serviços de transporte coletivo na capital e que compõe o Consórcio Poty, responsável pelas linhas da zona norte de Teresina. Na oitiva, o depoente apontou o poder público como o principal culpado pelo desmoronamento dos serviços de transporte coletivo, devido à falta de repasses e descumprimento do contrato.

O presidente da CPI, vereador Dudu, iniciou a oitiva fazendo uma explanação da situação que foi exposta até agora sobre os serviços de transporte público. “Em resumo, a população não acredita mais no poder público, nem nos empresários, pois diariamente é pautada por uma questão ruim para a cidade, que trava a nossa economia, o nosso desenvolvimento e a geração de emprego, além do fato de estarmos vivendo uma pandemia, portanto o descaso com o transporte coletivo certamente aumenta a transmissibilidade do vírus”, disse.

O representante da Emvipi, Afrânio Euclides, afirmou que a prefeitura descumpre o contrato, não fazendo o repasse de recursos financeiros e tem uma dívida de cerca de R$20 milhões. “Afirmo isso com base no edital, que contém as minhas obrigações e as do ente municipal. A licitação foi em 2015, de lá para cá foram feitos quatro acordos e a prefeitura não tem cumprido. Os recursos só são repassados por meio de acordo judicial, então sempre ficam em atraso e vira uma bola de neve. Não dá para as empresas cumprirem a sua parte dessa forma. A falta de repasses e a pandemia deixaram o transporte público de Teresina em ruínas e a CPI talvez consiga mostrar o que acontece na realidade”, disse o empresário.

Para o vereador Dudu, tanto a prefeitura como a empresa descumprem o contrato, o que não tira a responsabilidade de um ou do outro. “Muitas questões foram trazidas aqui pelo depoente, que apontou a falta de pagamentos como o principal motivo do sistema estar desmoronando, mas ele próprio afirmou que as empresas descumpriram parte do edital que eles assinaram e se comprometeram a executar. O empresário afirma que não sabe quanto a empresa recebeu e em uma licitação que tem seis anos em execução, já foram feitos quatro acordos judiciais. Se pagar agora não vai resolver, pois amanhã terá a mesma pendenga. O que temos observado é que temos que mexer em todo o conjunto dessa licitação. Temos que pactuar para que seja realmente operativa”, afirmou.

O presidente da CPI ainda reafirmou que o objetivo não é fazer um caça às bruxas. “Instalamos essa CPI para saber onde está o ponto principal para que possamos resolver e levar um pouco de alívio aos mais fragilizados, que são os que pagam pelo sistema. As mazelas que permeiam o transporte público estão insustentáveis. Não queremos fazer um caça às bruxas, mas não podemos deixar do jeito que está. O povo tem o direito de usufruir pelo o que paga e nós, representantes do povo, temos o dever moral e constitucional de lutar por isso”, concluiu Dudu.