Quase 35 milhões de pessoas no Brasil vivem sem água tratada e cerca de 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto, resultando em doenças que poderiam ser evitadas, e que podem levar à morte por contaminação. Esse é o cenário quase dois anos depois de entrar em vigor o Novo Marco Legal do Saneamento, sancionado na Lei 14.026 de 2020, quando os investimentos no setor atingiram R$ 13,7 bilhões — valor insuficiente para que sejam cumpridas as metas da legislação atualizada.
20 municípios com maior percentual da população atendida por redes de água e esgoto |
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| Município | UF | % da população com acesso a água | % da população com acesso a esgoto |
| Santos | SP | 100 | 99,93 |
| Uberlândia | MG | 100 | 98,22 |
| São José dos Pinhais | PR | 99,99 | 81,96 |
| São Paulo | SP | 99,3 | 96,3 |
| Franca | SP | 100 | 99,6 |
| Limeira | SP | 97,02 | 97,02 |
| Piracicaba | SP | 100 | 100 |
| Cascavel | PR | 99,99 | 99,99 |
| São José do Rio Preto | SP | 96,03 | 93,49 |
| Maringá | PR | 99,99 | 99,98 |
| Ponta Grossa | PR | 99,99 | 99,98 |
| Curitiba | PR | 100 | 99,98 |
| Vitória da Conquista | BA | 97,66 | 82,96 |
| Suzano | SP | 100 | 93,09 |
| Brasília | DF | 99 | 90,9 |
| Campina Grande | PB | 99,73 | 91,98 |
| Taubaté | SP | 100 | 99,7 |
| Londrina | PR | 99,99 | 99,98 |
| Goiânia | GO | 99,07 | 92,71 |
| Montes Claros | MG | 83,71 | 84,92 |
20 municípios com menor percentual da população atendida por redes de água e esgoto |
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| Município | UF | % da população com acesso a água | % da população com acesso a esgoto |
| Macapá | AP | 37,56 | 10,78 |
| Porto Velho | RO | 32,87 | 5,88 |
| Santarém | PA | 50,9 | 4,14 |
| Rio Branco | AC | 53,16 | 21,29 |
| Belém | PA | 73,41 | 17,14 |
| Ananindeua | PA | 33,8 | 30,18 |
| São Gonçalo | RJ | 90,12 | 33,49 |
| Várzea Grande | MT | 96,71 | 29,88 |
| Gravataí | RS | 95,24 | 38,17 |
| Maceió | AL | 89,61 | 43,03 |
| Duque de Caxias | RJ | 88,72 | 37,47 |
| Manaus | AM | 97,5 | 21,95 |
| Jaboatão dos Guararapes | PE | 79,76 | 21,78 |
| São João do Meriti | RJ | 100 | 60,38 |
| Cariacica | ES | 84,67 | 34,69 |
| São Luís | MA | 85,73 | 49,78 |
| Teresina | PI | 96,23 | 35,74 |
| Recife | PE | 89,45 | 44,01 |
| Belford Roxo | RJ | 100 | 43,23 |
| Canoas | RS | 100 | 46,66 |
Fonte: 14ª edição do Ranking do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, com base em informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS)
Somente 50% do volume de esgoto do país recebe tratamento, o que equivale a mais de 5,3 mil piscinas olímpicas de esgoto in natura sendo despejadas diariamente na natureza. Municípios dos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais ocupam as primeiras posições do ranking, liderados por Santos (SP). Entre os 20 piores estão municípios da região Norte, alguns do Nordeste e Rio de Janeiro. A última posição é ocupada por Macapá (AP).
Os dados constam da 14ª edição do Ranking do Saneamento, publicado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, com foco nos 100 maiores municípios brasileiros. Divulgado na terça-feira (22), quando se comemorou o Dia Mundial da Água, o relatório faz uma análise dos indicadores de 2020 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. O estudo busca mostrar quais são os desafios que o Brasil ainda enfrenta para cumprir com os compromissos nacionais e internacionais em água tratada, coleta e tratamento de esgoto.
Ao comparar as 20 melhores cidades do ranking contra as 20 piores, o estudo aponta diferenças nos indicadores de acesso. Enquanto 99,07% da população das 20 melhores têm acesso a redes de água potável, 82,52% da população dos 20 piores municípios têm esse serviço.
O estudo também aponta discrepância na porcentagem da população com rede de coleta de esgoto: 95,52% da população nos 20 melhores municípios têm os serviços; enquanto somente 31,78% dos moradores nos 20 piores municípios são abastecidos com a coleta do esgoto.
Doenças
O estudo foi lançado no Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março. Na mesma data, em sessão no Senado, ao comentar o relatório do Instituto Trata Brasil, o senador Paulo Paim (PT-RS) destacou que problemas de saúde como a disenteria, além da doença de Chagas, poderiam ser evitadas com o aumento da cobertura e com a qualidade dos serviços de saneamento.
Paim ainda citou dados do IBGE apontando que a falta de saneamento mata 11 mil pessoas por ano no Brasil. Desse número, há uma grande quantidade de óbitos de idosos com 60 anos ou mais, afirmou o senador. Ele ressaltou ainda que a água está no centro do desenvolvimento sustentável, ligada ao Objetivo 6 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento, que defende o acesso universal e equitativo à água potável e ao saneamento até 2030.
— Fui constituinte, participei [da elaboração] da Constituição, do Estatuto da Cidade, do Estatuto do Idoso. Saneamento básico, coleta de esgoto e água tratada são direitos dos brasileiros. Salvam vidas. Considerar o planejamento de políticas públicas de longo prazo, mais e melhores investimentos, ajuda no avanço dos indicadores sociais e na qualidade de vida. A água é pauta na agenda planetária. Neste século a humanidade vai matar e morrer, não só por causa da economia, da geopolítica, de ideologias, mas também por causa de problemas climáticos. E aí entra a falta de água. Desastres ambientais e falta de água pioram a pobreza e a fome e aumentam a violência. Segundo as Nações Unidas, desde 2010, cerca de 21,5 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a se mudar, em média, por ano, devido a essas questões. Por isso, são migrantes e refugiados — disse Paim.
“O resultado mostra o descaso do governo de AL: nossa capital é a 91ª de 100 cidades. Imagine no interior? Para piorar, a BRK aumentou a tarifa e cortou a água dos mais pobres. Seguimos combatendo esse absurdo”, escreveu o representante alagoano.
Fonte: Agência Senado
