Retornando à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) nesta quarta-feira (4), o deputado Aldo Gil (Progressistas) discursou na tribuna, durante a sessão plenária, para apresentar o direcionamento que vai dar à função de líder da oposição que passa a ocupar. Ele criticou a falta de ação dos governos estadual e federal no combate à seca, as ações do Judiciário que considera inversão de valores e a concentração de poder que o Executivo estadual possui.

Recentemente, durante votação do projeto do governo para contrair mais três empréstimos de 11,5 bilhões de reais, os deputados de oposição tentaram destinar parte dos recursos para ações de abastecimento de água do interior do Estado mas os deputados governistas rejeitaram a proposta.

“Fico honrado de voltar a esta Casa para prestar a importante missão de ser líder da oposição em um estado que, infelizmente, praticamente não tem oposição. É triste a gente ver um governo que praticamente monopoliza as vozes tanto da mídia como do parlamento. Não é saudável para nossa democracia um monopólio, uma quase unanimidade, como nós temos no estado do Piauí. A própria natureza nos ensina que enquanto o sol clareia a metade do mundo, a lua faz sombra na outra metade. Espero que o governador não se queime com tanto sol, com todos debaixo das suas asas”, questionou Aldo Gil.

No combate à seca, o parlamentar afirmou que o governo federal não enviou nenhum recurso para os piauienses das cidades em calamidade e que o governo estadual vai começar a cobrar imposto das pessoas que dependem de poços. “O que a gente precisa é do apoio do governo do estado e do governo federal para minimizar o problema. Minimizar o sofrimento do nosso povo. Mas o que a gente vê é que o governo federal até agora não enviou um centavo de suporte e ajuda. Como se não fosse pouco a ausência de ajuda do governo federal, o governo do estado vai passar a cobrar imposto da água nas comunidades do interior, que já não tem água. Do lugar que tem um poço para dividir para 40 famílias”, denunciou o deputado.

Aldo Gil ainda se mostrou preocupado com o que considera uma inversão de valores no Brasil comparando a prisão do humorista Léo Lins e a soltura do músico Mc Poze do Rodo. “Faz tempo que nosso país não tem liberdade de expressão. É preciso pensar duas vezes antes de se dizer o que pensa. O humorista é preso por conta da opinião. Quem já viu isso? O Brasil que eu conheço, é o Brasil da liberdade, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão, da liberdade, de você ir e vir”, disse o parlamentar.

Além das críticas, Aldo Gil reforçou o compromisso com a produção legislativa falando sobre projeto que já apresentou para obrigar as academias a disponibilizarem desfibriladores. O parlamentar afirmou que se preocupa com o número de jovens que têm falecido de mal súbito e que a obrigatoriedade do aparelho nesse tipo de estabelecimento já é lei em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Ele ainda agradeceu ao prefeito de Teresina Sílvio Mendes por ter confiado a ele a superintendência da zona sul da capital.