A formação acontece na comunidade quilombola Sussurana em Piripiri-PI

O Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, realiza, nos dias 14, 15 e 16 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola Sussuarana, no município de Piripiri–PI, a Capacitação em Sistema Simplificado de Manejo da Água para a Produção de Alimentos.

A atividade representa um momento essencial de aprendizado e troca de experiências, com o objetivo de potencializar, de forma sustentável, a produção de alimentos saudáveis para o consumo das famílias agricultoras, além de fortalecer a comercialização por meio do excedente da produção.

Por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), o CERAC leva às agricultoras e aos agricultores familiares tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, como cisternas destinadas à captação e ao armazenamento da água da chuva. Essas tecnologias possibilitam a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos, como hortaliças e frutíferas, além de contribuir para a criação de pequenos animais, a exemplo de galinhas, cabras e porcos.

O coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas pelo CERAC, José Maria Sariva, destacou que as capacitações fazem parte do programa como uma estratégia para fortalecer os conhecimentos das famílias agricultoras, valorizar os saberes locais e promover reflexões sobre as questões climáticas. Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelas agricultoras e agricultores do Semiárido contribui para a redução dos impactos ambientais, por meio de uma agricultura de baixo impacto e de uma produção diversificada de alimentos.

“Vivemos um momento no planeta em que se torna cada vez mais evidente a urgência de fortalecer a agricultura agroecológica, que produz uma grande diversidade de alimentos sem agredir o meio ambiente com venenos e desmatamentos. Por isso, esse programa é importante para provocar esse despertar”, afirmou.

Participam da capacitação 26 beneficiárias e beneficiários. Ao todo, o CERAC irá construir 69 tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, fortalecendo a produção sustentável no campo e promovendo justiça social no Semiárido piauiense.

A agricultora familiar Antônia Maria da Silva Ananias, da comunidade quilombola Sussuarana e beneficiária do programa, destacou que a cisterna permitirá a ampliação do seu quintal produtivo.

“O programa vai incrementar meu quintal produtivo, onde já cultivo hortaliças, tenho alguns pés de frutas e crio galinhas. Isso já ajuda no sustento da minha família”, contou.

Já a agricultora familiar Raimunda Nonata, mais conhecida como Renata, do Assentamento Baixa dos Tugis, desenvolve em seu quintal uma grande variedade de culturas, como manga, moranga, ata, graviola, acerola e cheiro-verde. No entanto, a produção ainda é limitada pela dificuldade de acesso à água. Com a cisterna de 52 mil litros, a agricultora terá mais segurança hídrica para ampliar a produção de alimentos.

“A água era pouca, mas agora, com a cisterna, vou poder ampliar a minha produção de alimentos, porque coragem eu tenho para trabalhar e cultivar alimentos saudáveis para a minha família”, afirmou.

Mais do que armazenar água da chuva no Semiárido, o Programa Uma Terra e Duas Águas garante cidadania e esperança para as famílias agricultoras, fortalece os saberes tradicionais e as sementes da fartura, além de promover a igualdade de direitos entre homens e mulheres no campo.

Além das tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, agricultoras e agricultores beneficiários recebem R$ 4.600,00 do Programa Fomento Rural, contribuindo para o fortalecimento dos quintais agroecológicos e da produção sustentável.