O Centro Regional de Assessoria e Capacitação, por meio da Articulação Semiárido Brasileiro, do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, realizou esta semana, na zona rural de Pedro II, o intercâmbio intermunicipal com beneficiários e beneficiárias do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) das comunidades rurais de Piripiri: Quilombo Sussuarana, Assentamento Baixa dos Tugis, Romão, Gameleira, Assentamento Residência, Morcego, Lagoa da Cruz, Oticica e comunidade Santa Rosa.

A troca de saberes entre agricultores e agricultoras teve como objetivo fortalecer a produção de alimentos saudáveis no Semiárido e acompanhar, na prática, exemplos de produção por meio das tecnologias sociais do programa. O intercâmbio também proporcionou debates sobre organização comunitária, preservação das Sementes da Fartura e produção agroecológica em grande escala para comercialização por meio de políticas públicas do Governo Federal, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e outros mercados institucionais.

Logo pela manhã, os beneficiários e beneficiárias visitaram o Assentamento Pedra Branca, na zona rural de Pedro II. A comunidade se destaca pela valorização das Sementes da Fartura e pela criação da primeira Escolinha Comunitária de Agroecologia voltada para crianças e jovens da comunidade, que funciona na Casa de Sementes da Fartura Lauro Chaves dos Santos, criada pela agricultora familiar e guardiã de sementes Solange Chaves, com apoio do CERAC.

Além disso, os moradores mantêm um quintal agroecológico coletivo, um campo de multiplicação de feijão e um campo de ensaios do Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido, que testa variedades de milho crioulo e fortalece a agricultura familiar agroecológica. Durante a visita, os participantes também conheceram a casa de farinha da comunidade.

Ainda no primeiro dia de atividades, as famílias atendidas conheceram a experiência dos agricultores familiares beneficiários Aureni dos Santos Andrade e Graciano Viana de Andrade, na comunidade Tucuns dos Pedro, também na zona rural de Pedro II. Na propriedade do casal, os participantes puderam acompanhar o cultivo de hortas e frutíferas desenvolvido com apoio do programa.

Segundo Graciano, a ideia de investir no terreno surgiu após um intercâmbio promovido pelo P1+2 no ano passado.

“Quando conhecemos uma experiência na aldeia indígena Nazaré, percebemos que era possível produzir em maior escala e fortalecer também o nosso apiário, que fica a cerca de 300 metros da horta”, destacou.

Hoje, o agricultor e apicultor afirma sentir orgulho por contribuir com a preservação do meio ambiente por meio da apicultura e da produção sustentável de alimentos no Semiárido, como estratégia de enfrentamento à emergência climática.

“O que mais nos dá prazer é realizar essas atividades. A abelha é fundamental para a natureza em todos os sentidos, e quem trabalha na agricultura percebe isso com mais facilidade. Nós plantamos vida”, ressalta.

No segundo dia, foi realizada uma visita à Horta Arara, da família de Walmir Moreira. O agricultor familiar contou que se redescobriu na agricultura familiar sustentável, encontrando nela não apenas uma fonte de renda, mas também um novo sentido para viver.

“Para fazer o que eu e minha família fazemos é preciso amar esse chão. Aqui procuramos produzir em harmonia com a natureza, apostando na rotação de culturas e preservando a mata nativa”, afirmou.

No terreno de 12 hectares, a família cultiva macaxeira, maracujá, cheiro-verde, pimenta-de-cheiro, alface, além de milho e feijão.

Segundo o coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas do CERAC, José Maria Saraiva, o intercâmbio intermunicipal é uma das etapas mais importantes da iniciativa, pois permite que as famílias troquem experiências, sementes e percebam, na prática, que é possível produzir alimentos de qualidade no Semiárido.

“Com a cisterna de 52 mil litros e o Fomento Rural de R$ 4.600, é possível melhorar muito a produção de alimentos orgânicos no Semiárido. Durante o intercâmbio, as famílias fortalecem ainda mais o sentimento de que é possível produzir e ter mais qualidade de vida no Semiárido, utilizando as técnicas corretas e cuidando das Sementes da Fartura e das nossas matas nativas”, explica.

Antônia Maria da Silva, quilombola residente na comunidade Sussuarana, reforçou a importância dos aprendizados adquiridos durante a visita.

“O intercâmbio nos proporciona muitos aprendizados. São realidades novas e, a partir dessas experiências, quero colocar em prática e produzir ainda mais no meu quintal”, afirmou.

O agricultor familiar Paulo dos Santos Sinobilino, também do Quilombo Sussuarana, destacou os conhecimentos adquiridos sobre manejo sustentável e preservação da sociobiodiversidade.

“Aprendi que, para ter uma boa produção, é importante cuidar da terra, não fazer queimadas e utilizar cobertura do solo com folhas e esterco animal”, disse.

Maria Aparecida, da comunidade Santa Rosa, também participou do intercâmbio e destacou a importância do programa. Segundo ela, os conhecimentos adquiridos serão levados para o quintal produtivo da família.

“Com muito orgulho temos em nosso quintal a cisterna de beber e a cisterna-calçadão, uma bênção de Deus. O intercâmbio nos inspira ainda mais a produzir e valorizar os saberes recebidos por meio da iniciativa”, ressaltou.

No município de Piripiri, 69 tecnologias sociais de convivência com o Semiárido estão sendo implantadas pelo CERAC. As ações são destinadas às famílias que já possuem a cisterna de consumo humano, construída por meio do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), com a missão de fortalecer a soberania e a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras.