Em audiência pública realizada pela Comissão de Cultura da Câmara Federal, músicos e agentes culturais buscaram soluções junto ao poder público para a falta de dinheiro, consequência da suspensão, pelo segundo ano consecutivo, das festas juninas por causa da pandemia de Covid-19.

Dados do Ministério do Turismo mostram que, em 2019, as festas juninas que ocorreram em 15 estados movimentaram R$ 1,5 bilhão.

No Piauí, o maior evento junino é realizado pela TV Clube, afiliada da rede Globo busco alternativa para edição 2021 da festival “cidade Junina”

Com o objetivo de movimentar o cenário cultural e trazer toda a alegria dos grupos juninos, o concurso vai eleger os melhores casais juninos da noite e suas coreografias.

Vai ter quadrilha, sim! Essa é umas das principais bandeiras do maior evento cultural nordestino do Piauí: manter a “fogueira acesa” respeitando todos os cuidados com a saúde. Mesmo com a pandemia de Covid-19, aqueles que se dedicam às quadrilhas juninas buscam alternativas para que o fogo não cesse e a tradição permaneça brilhando nas noites de São João. Com isso, a Cidade Junina tá ON! em parceria com a Federação das Quadrilhas Juninas do Piauí (Fequajupi) promove na edição deste ano, o Concurso Estadual de Casais Juninos.
Com o objetivo de movimentar o cenário cultural e trazer toda a alegria dos grupos juninos, o concurso vai eleger os melhores casais juninos da noite e suas coreografias. Os interessados já podem se inscrever por meio do formulário online que também está disponível nas redes sociais da Fequajupi. A inscrição é gratuita.
O prazo para as inscrições foi estendido e segue até dia 31 de maio. Após a inscrição, os casais têm até o dia 10 de junho para enviar seus vídeos para o e-mail oficial da Federação das Quadrilhas Juninas do Piauí. O vídeo será utilizado na avaliação dos participantes e deve ser gravado na horizontal e ter de 3 a 5 minutos de duração.
A premiação e apresentação dos cinco casais campeões vai acontecer durante a transmissão do programa Cidade Junina Tá ON! no dia 25 de junho de 2021. Nesta edição, o público também participará da escolha: os casais escolhidos serão decididos por meio do voto popular dos comentários do Instagram, juntamente com o voto de três Avaliadores juninos do quadro Fequajupi.
O presidente da Fequajupi, João Rodrigues, esse afirma que o concurso contribui para o movimento cultural das quadrilhas juninas no estado. “Esse evento é de grande importância para todos nós. E essa parceria com a Cidade Junina tem fortalecido muito o nosso movimento no Piauí. Estamos esperançosos por dias melhores e ficamos muito felizes de poder contribuir e mostrar o nosso trabalho cultural. Portanto, esse concurso veio para nos dar espaço e voz”, afirma.
A diretora executiva da Clubesat Eventos, Christianne Alencar, fala sobre a importância de se manter viva as tradições culturais. “As festas juninas movimentam todo o estado na sua base comunitária, e não somente no Piauí, mas todo o Nordeste valoriza muito esta grande festa popular. Portanto, com a pandemia não podemos realizar um concurso com um número maior de participantes, mas entendemos a sua importância. Com isso, estamos muito empenhados em fazer algo para que possamos manter vivas essas tradições e manifestações culturais”, pontua.

Nova Data
A transmissão da Cidade Junina Tá ON! também ganhou nova data. O programa vai acontecer nos dias 25 e 26 de junho de 2021 durante 04 horas de transmissão ao vivo. O público poderá assistir toda a programação por meio do Youtube e Facebook do evento.

A presidente da Associação Balaio do Nordeste, Joana Alves, destacou que, para além da questão econômica, é preciso preservar o patrimônio tradicional representado pelo forró.

“O São João é aquele momento em que o artista do forró mais trabalha para poder manter o equilíbrio dos grupos, ter bons instrumentos, boa qualidade de serviço. Ele precisa se manter trabalhando, se ele é um profissional da área, ele precisa ser valorizado”, disse ela.

Forró virtual
No ano passado, foi realizado o São João na Rede, com apresentações de mais de 200 artistas, todas transmitidas pela internet. O objetivo do evento, explicou Joana Alves, foi manter vivo o patrimônio do forró e garantir uma renda mínima para os músicos locais que não puderam participar dos eventos juninos.

O músico Léo Macedo defendeu que, neste ano, com recursos das prefeituras e dos estados, sejam realizadas novamente lives juninas, como forma de garantir recursos para os artistas locais e fazer com que as pessoas permaneçam em casa, sem deslocamentos para o interior, que poderiam aumentar a contaminação por Covid-19 entre as cidades.

O sanfoneiro Aldemario Coelho lembrou que o setor de forró conta com cinco milhões de trabalhadores e a maioria deles está numa situação crítica que não pode esperar o próximo ano para ser resolvida.  Ele defendeu que os gestores públicos se empenhem na contratação de artistas locais em apresentações pela internet.

“Pessoas estão à beira da fome. Se nós tivermos que parar para elaborar normas não vai dar tempo, porque já não está dando tempo”, alertou Coelho, que cobrou ação imediata do poder público. “Nesse momento não se pode pensar em economia e, sim, em salvar vidas. Essa cadeia produtiva ultrapassa mais de cinco milhões de pessoas, mas, quando a gente olha para aquelas que tocam no final de semana para comprar a alimentação da semana, aí é que está o problema real, pontual, momentâneo e que nós precisamos achar uma saída”, ressaltou.

Impacto na economia
A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), proponente da audiência, destacou que no seu estado as festas juninas ocorrem em metade dos municípios e movimentaram, em 2019, R$ 700 milhões.

“Para nós, o São João tem um impacto maior para o conjunto da economia do estado do que a festa do carnaval, que dá sustentáculo à cidade de Salvador como grande motriz da economia criativa no nosso município e em alguns outros municípios do estado que têm festas de carnaval mais singulares, mas não com a característica da Bahia, de um São João que ocupa boa parte do nosso território inteiro. ”

O prefeito de Amargosa (BA), Júlio Pinheiro, destacou que a cidade, de 40 mil habitantes, tem 10% do PIB proveniente das festas juninas, que movimentam a economia local com a realização de shows e o aluguel de casas para acomodar os turistas, que quase dobram a população local no período.

Fonte: Agência Câmara de Notícias