Por Kenard Kruel

RAMSÉS RAMOS – (Teresina, 28 de dezembro de 1962 – Moscou, 2o de setembro de 1998) – Filho de Dr. Raimundo Ramos e Arminda Ramos. Irmão de Garibaldi Ramos, Carla Ramos e Renzo Ramos.
Foi diretor do Departamento Cultural e Artístico do Sindicato dos Jornalistas no Piauí, quando assumi, pela primeira vez, a presidência da entidade (1988 a 1991). Tive, ainda, mais duas gestões (1991 a 1987), quando uma jornalista assumiu pela primeira vez a presidência da entidade, me substituindo: a amiga Tereza Val, que teve duas gestões consagradoras.
Ramsés Ramos fez um trabalho de tão alto nível que o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ Armando Sobral Rollemberg, quando esteve em Teresina, participando de um Encontro de Jornalistas, o convidou para assessorá-lo em Brasília.
Foi. Brilhou. Voou num rastro de luz, em Moscou, quando estava a serviço acompanhando o presidente do Superior Tribunal de Justiça – STJ, que viajava pela Polônia, Portugal e Rússia, a fim de conhecer a funcionalidade daqueles órgãos de Justiça.
No STJ exercia as funções de Chefe do Cerimonial e de Relações Internacionais (falava, fluentemente, vários idiomas – Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Russo, Techo, Latim e Grego. Estava estudando o Aramaico, o hebraico e o Sânscrito).
Trabalhou nas Nações Unidas – ONU, no mesmo departamento em que trabalhou também o poeta, tradutor e jornalista piauiense Mário Faustino, outro de morte trágica, aos 32 anos de idade.
Trabalhou no Ministério da Saúde, no Departamento Anti Drogas.
Consagrado tradutor de grandes obras. A paixão era traduzir Walt Whitman. A primorosa tradução de Leaves of Grass foi lançada pela Editora da UNB. (Nota do autor: No livro, o título saiu Folhas da Relva, mas, na tradução original, era Folhas da Grama, justificado porque Walt Whitman era um poeta do submundo americano, do envolvimento com os portuários e outros da grama e não da relva).
Lançou seis livros de poesia: Dois Gumes (1981), com Rosário Miranda; Envelope de Poesia (coletivo); Dança do Caos (1981), com Kenard Kruel, Eduardo Lopes, William Melo Soares e Zé Magão; Percurso do Verbo (1987); Baião de Todos (coletivo, 1996); e Poemas da Paixão (Praga,1992).
Fez mestrado, em Literatura, na Universidade de Brasília – UNB, defendendo Mário Faustino: Tradição e Modernidade.
No campo da música, era um gênio, um virtuose compositor.
No Teatro, escreveu diversas peças e Monólogos. Num deles, no Theatro 4 de Setembro, em Teresina, com atuação impecável do consagrado ator e diretor Paulo de Tarso Libório, professor de artes da Universidade Federal do Piauí.
Advogado, pouco exerceu a profissão, embora fizesse questão de todos os anos pagar a OAB – PI, mantendo, assim, o vínculo com a entidade em dia.
Na foto: Eu, à esquerda, e Ramsés Ramos trabalhando na sede da FENAJ, em Brasília, na presidência do jornalista Armando Sobral Rollemberg).
Numa lembrança do amigo, dois poemas de autoria dele.

saudade me botou na parede

— há de chorar

mas eu sei que a rede
em que me reparto
é um banquete raro
tanto fino quanto farto

saudade triscou no gatilho
— impossível não prantear

mas eu sinto que o ato
entre o partir e o ficar
é o fico, não o parto

saudade remoço meus desertos

— hei de carpir

mas eu vejo que a lei
de que é feito meu império
pertence à fina grei
do eterno mistério

(Brasília, 17.7.1994)