Fundador do PT foi o palestrante
A 22ª edição do projeto Sextas Sem Conta, realizada nesse final de semana(12) no auditório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), discutiu os “Conflitos Internacionais Contemporâneos”, com ênfase para as guerras da Ucrânia e Ríssia e da Palestina (Faixa de Gaza) e Israel. O ministrante da palestra foi o historiador Daniel Aarão Reis Filho, Publicou diversos livros e artigos sobre a história da esquerda no Brasil e sobre a história da experiência socialista no século XX. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) onde permaneceu até 2005, quando pediu sua desfiliação em meio ao escândalo do mensalão.
Bernardo Sá, coordenador do Sextas sem Conta, abriu a apresentação explicando que o projeto visa quebrar a rotina do TCE-PI na sua função fiscalizadora e analítica de gestões, porque seus quadros são técnicos mas antes de tudo são humanos. Em edições anteriores já foram discutidos temas como a fundação de Teresina, a obra de Torquato Neto, o samba, a batalha do Jenipapo e inteligência artificial. “O tema de hoje é importante porque está diariamente no noticiário, tem provocado milhares de mortes e interessa a todos para que possam entender o que está acontecendo”, disse.
Segundo Daniel Aarão Reis, é muito difícil falar sobre guerras enquanto elas ainda estão acontecendo em meio às restrições de liberdades e narrativas que interessam aos envolvidos. “Qualquer análise está sujeita a controvérsias e redefinições. Nesses casos, elas parecem muito longe do Brasil, mas estão muito perto”, avalia ele, acrescentando que devido ao acirramento elas podem virar conflitos mundiais e prejudicar a humanidade inteira, principalmente se escalarem para o uso de dispositivos atômicos.
Na sua ótica, até a época da Guerra Fria existia um certo Controle da União Soviética e dos Estados Unidos sobre os outros países e eles mediavam os conflitos que surgiam, mas nos tempos de agora, com o fim da União Soviética, a ascenssão econômica e política da China e da Ásia, esse controle deixou de existir e por isso as guerras não são cessadas. Para ele, principalmente no caso de Israel, a tendência é o conflito se espalhar ainda mais, pois os ataques não estão ocorrendo somente na faixa de Gaza, mas no Irã, em Taiwan e outros países. “Eles prometem matar os líderes do Hamas onde eles estiverem”, disse.
Para o fundador do PT, a invasão da Ucrânia pela Rússia espantou o mundo, mas o presidente Vladimir Putin quer a todo custo anexar o país invadido. Por outro lado, os EUA incentivaram a guerra e agora estão chantageando a Ucrânia dizendo que só dão armamentos se puderem explorar as terras raras, de alto valor econômico e estratégico para a indústria da tecnologia. No caso de Israel, são os conflitos religiosos que norteiam a guerra, pois para um membro do Hamas a morte é o prêmio principal, pois eles creem que irão para um paraíso de fartura e delícias.
Enquanto isso, o Brasil fica em posição de quem uma hora está de um lado e outra hora está do outro. Mas, ele alerta que os brasileiros tem que se mobilizar contra esses conflitos. Não o governo em sí, que deve manter uma política de boas relações com todos os outros países. Mas, os partidos políticos podem dar voz ao movimento, fazer ações. “No Brasil, a direita diz amém para tudo o que os americanos disserem e a esquerda, automaticamente fica contra. É preciso definir uma ação”, diz o petista.
