A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Embrapa Meio-Norte, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC) e agricultores e agricultoras familiares.

Por meio do Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido, executado pela Embrapa Meio-Norte e CERAC, o Assentamento Lagoa do Mato, localizado na zona rural de Milton Brandão-PI, deu o primeiro passo para a construção de um Sistema Agroflorestal (SAF). A iniciativa visa fortalecer a produção de alimentos na comunidade, que já se destaca pela produção de mel orgânico. Apenas no último ano, foram produzidas cerca de 9 toneladas, comercializadas inclusive no exigente mercado americano.

Além da apicultura, a comunidade também se destaca na produção de milho e feijão, nos quintais produtivos com hortaliças e verduras, na preservação das sementes crioulas, conhecidas como Sementes da Fartura, bem como no artesanato em crochê e na cultura da rede de tear.

A implantação do sistema agroflorestal contribuirá para o fortalecimento da soberania alimentar, a geração de renda e a preservação das espécies nativas da região, que também serão multiplicadas em áreas específicas do sistema.

A vice-presidente da Associação de Desenvolvimento Rural Lagoa do Mato-ADERLAM e agricultora familiar, Cícera da Silva, destacou a importância da iniciativa para a comunidade:

“A iniciativa vem para fortalecer ainda mais a nossa produção de mel, nossos quintais produtivos e a Casa de Sementes da Fartura.”

A troca de conhecimentos é um dos pilares do projeto, garantindo que os próprios agricultores e agricultoras construam seus sistemas agroflorestais. De acordo com o engenheiro agrônomo Kalil Luz, da ARREPIA, os SAFs integram árvores de médio e pequeno porte com diversas culturas da agricultura familiar, organizadas de forma estratégica, respeitando fatores como a incidência de luz, o espaçamento, o tipo de solo e o desenvolvimento das plantas, permitindo produção durante todo o ano, com ou sem irrigação.

O coordenador do Projeto Agrobiodiversidade no Piauí, Francisco Oliveira, pesquisador da Embrapa Meio-Norte, explica que os agricultores e agricultoras passarão por um processo de capacitação com oficinas e intercâmbios:

“Discutimos com a comunidade estratégias que fortaleçam a segurança alimentar e a geração de renda. Realizaremos intercâmbios para conhecer experiências em funcionamento. Além disso, vamos retornar com as informações coletadas para construir, junto à comunidade, um sistema de produção adequado à realidade local.”

A agricultora e artesã Maria Alciliadora, que vive há mais de dez anos no Assentamento Lagoa do Mato, também reforçou a importância do trabalho coletivo impulsionado pela agrofloresta:

“É muito boa essa ideia de trabalhar juntos em uma área. A gente já vem fazendo isso, e isso só aumenta nossa motivação. A troca de ideias fortalece o trabalho e traz resultados muito proveitosos.”

Para finalizar, o coordenador do CERAC, José Maria Saraiva, destacou a importância da integração entre o conhecimento popular e o científico:

“É uma grande riqueza ver agricultores e agricultoras junto com pesquisadores, somando saberes. Acreditamos que esse é o caminho para enfrentar a crise climática: a agricultura familiar de base agroecológica, de baixo impacto, que preserva a natureza e valoriza a sabedoria popular que alimenta gerações de sertanejos e sertanejas.”