O Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, realizou, entre os dias 15 e 17 de abril, no Assentamento Estreito, município de Piripiri-PI, a Capacitação em Sistema Simplificado de Manejo da Água, atendendo famílias da comunidade indígena Canto da Várzea, além das localidades Estreito, Amargoso e São Joaquim.

As agricultoras e agricultores familiares participantes são beneficiários do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), executado no município pelo CERAC. A iniciativa leva às comunidades tecnologias sociais como as cisternas-calçadão e cisternas de enxurrada, com capacidade para armazenar até 52 mil litros de água da chuva. Trata-se de uma política pública eficiente de convivência com o Semiárido, que fortalece a soberania alimentar, valoriza a sabedoria popular e preserva as Sementes da Fartura, garantindo autonomia às famílias do campo.

No Semiárido de Piripiri, estão sendo construídas 59 cisternas-calçadão, 9 cisternas de enxurrada e 1 barragem subterrânea, totalizando 69 tecnologias sociais que irão beneficiar famílias que já possuem cisterna de consumo, oriunda do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).

Segundo Francisco Rodrigues, animador de comunidades do CERAC que acompanha as famílias no município, o programa vai impulsionar ainda mais a produção de alimentos saudáveis, melhorando a alimentação e possibilitando a comercialização do excedente.

“As comunidades atendidas têm grande aptidão para a produção de alimentos, mas, durante o período seco, sofrem fortemente com a falta de água. Esse projeto chega para fortalecer a segurança hídrica dessas famílias, gerando renda e garantindo a permanência no campo”, destacou.
As crianças das famílias atendidas também participam do Sisminha, onde aprendem, de forma recreativa, sobre o Semiárido, a importância de cuidar da natureza, a preservação das sementes nativas, os conhecimentos tradicionais e a agricultura familiar agroecológica.

A agricultora familiar da comunidade São Joaquim e beneficiária do P1+2, Francilene Leite, destacou a importância da troca de saberes durante as capacitações, que acontecem em duas etapas: o GAPA (Gestão da Água para Produção de Alimentos) e o SISMA.

“Essas capacitações reforçam a importância do nosso trabalho na agricultura familiar, nos impulsionam a fortalecer nossos quintais produtivos, produzir alimentos saudáveis, além de preservar nossa sabedoria e nossas matas nativas”, afirmou.

Além das tecnologias sociais, as famílias contempladas também receberão o valor de R$ 4.600,00 por meio do Programa Fomento Rural, destinado ao fortalecimento dos quintais produtivos agroecológicos e à criação de pequenos animais, promovendo soberania alimentar, autonomia econômica e melhoria da qualidade de vida no Semiárido.