Com o objetivo de fortalecer a convivência sustentável com o Semiárido e ampliar a segurança alimentar de mulheres e homens do campo, o CERAC realizou Capacitação em Gestão da Água para a Produção de Alimentos, na comunidade Santa Maria, no município de Capitão de Campos (PI).
A atividade integra o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), iniciativa da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com apoio do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido. No Território dos Cocais, a ação é executada pelo CERAC.
Ao todo, participaram 23 famílias contempladas com cisternas de produção de 52 mil litros, nas modalidades enxurrada e calçadão. Durante os três dias de formação, os participantes trocaram conhecimentos e experiências sobre temas essenciais para a convivência com o Semiárido, como agroecologia, sementes da fartura, divisão justa do trabalho, estudo do solo, formação das chuvas, desertificação, adubação orgânica e fortalecimento dos quintais produtivos.
A capacitação promoveu a troca de experiências e valorizou os saberes das famílias agricultoras, destacando práticas sustentáveis que contribuem para a produção de alimentos, a preservação da sociobiodiversidade e a melhoria da qualidade de vida no campo.
O coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) pelo CERAC, José Maria Saraiva, destacou a importância da troca de saberes como ferramenta para fortalecer a convivência sustentável com o Semiárido.
“Nosso Semiárido é rico em histórias, saberes e resistência. O Programa Uma Terra e Duas Águas fortalece a produção sustentável de alimentos, valoriza as sementes da fartura e incentiva práticas que preservam a sociobioagrodiversidade. A participação de mulheres, jovens e crianças é fundamental nesse processo, pois fortalece o conhecimento, a autonomia das famílias e a construção de um Semiárido cada vez mais produtivo, resiliente e sustentável”, afirmou.
As crianças das famílias beneficiárias também participaram da programação. Por meio de atividades lúdicas e recreativas, receberam orientações sobre a importância da conservação da água, da proteção do meio ambiente e da valorização da sociobiodiversidade do Semiárido, fortalecendo, desde cedo, a consciência ambiental e o compromisso com a convivência sustentável na região.
Moradora do Assentamento Barra, localizado a mais de 30 quilômetros da sede de Capitão de Campos, Raimunda de Oliveira integra a Comissão Municipal do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). A comissão é responsável pela seleção das comunidades beneficiadas e é composta por representantes da sociedade civil, da Secretaria Municipal de Agricultura, do Sindicato da Agricultura Familiar, de lideranças indígenas e quilombolas, do CRAS e de outras instituições parceiras.
Para Raimunda, o programa representa uma conquista histórica para as famílias agricultoras e fortalece, especialmente, o protagonismo das mulheres na produção de alimentos e na convivência com o Semiárido.
“A chegada da cisterna de produção é de grande importância para as famílias. Ela nos dá condições de produzir, trabalhar e incentivar outras pessoas da comunidade a fazerem o mesmo. Foi uma luta muito grande para garantir que as famílias recebessem primeiro a água para o consumo humano e, agora, estamos conquistando a água para produzir alimentos, com mais conhecimento e mais oportunidades para todos”, destacou.
A agricultora familiar Solimar Maria Oliveira, da comunidade Santa Maria, ressaltou que a segurança hídrica proporcionada pelo Programa Uma Terra e Duas Águas é fundamental para fortalecer a agricultura familiar e garantir melhores condições de vida às famílias da comunidade.
“A principal importância desse programa é garantir que a gente tenha água não apenas para beber, mas também para produzir alimentos. A cisterna de produção nos dá segurança hídrica durante os períodos de seca e permite irrigar pequenas hortas, garantindo alimentos saudáveis na nossa mesa e mais qualidade de vida para nossas famílias”, afirmou.
Outra beneficiária do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), Maria da Conceição de Oliveira, também moradora da comunidade Santa Maria, destacou que a chegada da cisterna de produção representa mais vida para o Semiárido piauiense e fortalece a produção de alimentos pelas famílias agricultoras.
“A cisterna de 52 mil litros é muito importante para nossa comunidade. Esse programa traz mais vida e mais água para a produção de alimentos saudáveis. Além disso, as capacitações ampliam nossos conhecimentos e reforçam a importância da troca de saberes e do fortalecimento da soberania alimentar no campo. Com conhecimento e acesso à água, nossas famílias conseguem produzir mais, cuidar da terra e viver com mais dignidade no Semiárido”, concluiu.
