Intercâmbio fortalece saberes agroecológicos e a agricultura familiar no Semiárido piauiense

O Semiárido piauiense é rico em saberes ancestrais que atravessam gerações. Há séculos, a agricultura familiar, baseada em práticas tradicionais e no cultivo sem o uso de agrotóxicos, alimenta sertanejos e sertanejas e contribui para a preservação da biodiversidade e da cultura do campo.
Com a chegada das políticas públicas de convivência com o Semiárido, essa realidade vem ganhando cada vez mais visibilidade. O cenário erroneamente difundido pela grande mídia, que associava o Semiárido apenas à imagem de terra rachada e animais mortos, dá lugar a outra paisagem: a do verde dos cultivos, da diversidade de alimentos e da criação de animais, incluindo as abelhas nativas sem ferrão, como as meliponas.

Banana, alface, maracujá, tomate-cereja, arroz, feijão, mandioca e milho são alguns dos alimentos produzidos pelas famílias agricultoras, muitas vezes a partir das chamadas sementes da fartura, variedades tradicionais que são guardadas, multiplicadas e compartilhadas entre gerações e famílias do campo.
Nesse contexto, com o objetivo de fortalecer a troca de saberes e a agricultura familiar de base agroecológica, o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido e com recursos do Governo Federal, realizou, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, um intercâmbio intermunicipal.

A atividade contou com a participação de 39 beneficiários e beneficiárias do município de Piripiri, incluindo famílias das comunidades quilombolas Marinheiro e Vaquejador, do Assentamento Estreito, São Joaquim, entre outras localidades atendidas pelo P1+2.

No primeiro dia, os agricultores e agricultoras visitaram o quintal agroecológico da beneficiária Raimunda Nonata Mendes, carinhosamente chamada de Renata, no Assentamento Baixa dos Tugi, em Piripiri (PI).
Durante a visita, o grupo conheceu experiências de produção agroecológica e teve contato com diferentes práticas de convivência com o Semiárido, observando de perto como a produção diversificada pode contribuir para a alimentação saudável e a geração de renda das famílias.
A programação também incluiu a Vivenda Santa Ângela, localizada na comunidade Roça dos Pereiras, em Pedro II (PI), uma fazenda-escola que atua na formação técnica de jovens do campo. No local, os participantes aprenderam sobre a produção de composto orgânico e seus benefícios para o solo, criação de suínos, criação de abelhas nativas sem ferrão, especialmente as meliponas, além do cultivo de hortas e da produção de defensivos naturais à base de plantas.
Outro momento marcante foi a visita ao quintal agroecológico dos beneficiários Aureni dos Santos e Graciano Viana, um espaço rico em produção de alimentos saudáveis e troca de experiências. Além de uma horta diversificada, o quintal conta com um apiário de Apis mellifera, espécie de abelha com ferrão.

Para a jovem quilombola Ana Paula de Sousa, moradora do Quilombo Marinheiro desde criança e beneficiária do Programa Uma Terra e Duas Águas, participar do intercâmbio foi uma oportunidade de ampliar seus conhecimentos e fortalecer seus planos para o futuro.
Ana Paula será contemplada com uma cisterna-calçadão com capacidade para armazenar 52 mil litros de água da chuva. Para ela, o intercâmbio trouxe motivação para organizar e ampliar a produção em seu quintal.
“Eu aprendi bastante, foi maravilhoso. Com a cisterna, vou ampliar meu quintal produtivo.”
A agricultora Ana Maria da Silva, também do Quilombo Marinheiro, voltou para casa inspirada a produzir ainda mais em seu quintal agroecológico. Para ela, os dois dias foram marcados por aprendizados e histórias de vida.
“Foram dois dias ricos em aprendizados de produção rural, com pessoas que irão me marcar para sempre. Quem trabalha com os pés e as mãos, a inspiração tomou conta ao participar da visita ao quintal agroecológico da Renata. Na escola das irmãs foi de muito aprendizado. E no Graciano, aquele sorrisão dele contagiou. A história de vida tão difícil no início, mas com muita vontade de vencer na vida, e está conseguindo.”

No município de Piripiri, estão sendo implantadas 69 tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, entre elas uma barragem subterrânea, já construída, além de cisternas-calçadão e cisternas-enxurrada.
Até o momento, já foram construídas 24 cisternas-calçadão, de um total de 49 previstas, e nove cisternas-enxurrada, além da barragem subterrânea.
As tecnologias de captação e armazenamento de água da chuva são fundamentais para garantir maior segurança hídrica às famílias e criar condições para que os quintais produtivos sejam fortalecidos, especialmente durante os períodos de estiagem.

Para o animador de comunidade do CERAC, Francisco Rodrigues, a troca de saberes proporcionada pelo programa é fundamental para inspirar as famílias e fortalecer a produção de alimentos saudáveis no campo.
“O intercâmbio é fundamental porque geralmente as famílias visitadas são também beneficiárias do P1+2, que aceitaram a proposta do programa e vêm mudando suas vidas com o fortalecimento da soberania alimentar e da geração de renda nas comunidades atendidas. E essas novas beneficiárias levam toda essa bagagem de conhecimento para seus quintais, gerando mais qualidade de vida no campo e geração de renda.”

Mais do que conhecer novas técnicas de produção, o intercâmbio mostrou que a convivência com o Semiárido também é feita de histórias, experiências, solidariedade e conhecimentos construídos pelas próprias famílias agricultoras.
A troca entre os participantes reafirma a importância da agricultura familiar de base agroecológica, da conservação das sementes tradicionais e da valorização da biodiversidade. São saberes que circulam entre as comunidades, fortalecendo a autonomia das famílias e mostrando que o Semiárido é território de vida, produção, resistência e fartura.
Ao unir acesso à água, produção de alimentos saudáveis e troca de conhecimentos, o Programa Uma Terra e Duas Águas contribui para que cada vez mais famílias possam produzir, alimentar-se melhor e gerar renda sem abandonar seus territórios e seus modos de vida.

O Semiárido piauiense é rico em saberes ancestrais que atravessam gerações. Há séculos, a agricultura familiar, baseada em práticas tradicionais e no cultivo sem o uso de agrotóxicos, alimenta sertanejos e sertanejas e contribui para a preservação da biodiversidade e da cultura do campo.
Com a chegada das políticas públicas de convivência com o Semiárido, essa realidade vem ganhando cada vez mais visibilidade. O cenário erroneamente difundido pela grande mídia, que associava o Semiárido apenas à imagem de terra rachada e animais mortos, dá lugar a outra paisagem: a do verde dos cultivos, da diversidade de alimentos e da criação de animais, incluindo as abelhas nativas sem ferrão, como as meliponas.

Banana, alface, maracujá, tomate-cereja, arroz, feijão, mandioca e milho são alguns dos alimentos produzidos pelas famílias agricultoras, muitas vezes a partir das chamadas sementes da fartura, variedades tradicionais que são guardadas, multiplicadas e compartilhadas entre gerações e famílias do campo.
Nesse contexto, com o objetivo de fortalecer a troca de saberes e a agricultura familiar de base agroecológica, o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido e com recursos do Governo Federal, realizou, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, um intercâmbio intermunicipal.

A atividade contou com a participação de 39 beneficiários e beneficiárias do município de Piripiri, incluindo famílias das comunidades quilombolas Marinheiro e Vaquejador, do Assentamento Estreito, São Joaquim, entre outras localidades atendidas pelo P1+2.

No primeiro dia, os agricultores e agricultoras visitaram o quintal agroecológico da beneficiária Raimunda Nonata Mendes, carinhosamente chamada de Renata, no Assentamento Baixa dos Tugi, em Piripiri (PI).
Durante a visita, o grupo conheceu experiências de produção agroecológica e teve contato com diferentes práticas de convivência com o Semiárido, observando de perto como a produção diversificada pode contribuir para a alimentação saudável e a geração de renda das famílias.
A programação também incluiu a Vivenda Santa Ângela, localizada na comunidade Roça, em Pedro II (PI), uma fazenda-escola que atua na formação técnica de jovens do campo. No local, os participantes aprenderam sobre a produção de composto orgânico e seus benefícios para o solo, criação de suínos, criação de abelhas nativas sem ferrão, especialmente as meliponas, além do cultivo de hortas e da produção de defensivos naturais à base de plantas.
Outro momento marcante foi a visita ao quintal agroecológico dos beneficiários Aureni dos Santos e Graciano Viana, um espaço rico em produção de alimentos saudáveis e troca de experiências. Além de uma horta diversificada, o quintal conta com um apiário de Apis mellifera, espécie de abelha com ferrão.

Para a jovem quilombola Ana Paula de Sousa, moradora do Quilombo Marinheiro desde criança e beneficiária do Programa Uma Terra e Duas Águas, participar do intercâmbio foi uma oportunidade de ampliar seus conhecimentos e fortalecer seus planos para o futuro.
Ana Paula será contemplada com uma cisterna-calçadão com capacidade para armazenar 52 mil litros de água da chuva. Para ela, o intercâmbio trouxe motivação para organizar e ampliar a produção em seu quintal.
“Eu aprendi bastante, foi maravilhoso. Com a cisterna, vou ampliar meu quintal produtivo.”
A agricultora Ana Maria da Silva, também do Quilombo Marinheiro, voltou para casa inspirada a produzir ainda mais em seu quintal agroecológico. Para ela, os dois dias foram marcados por aprendizados e histórias de vida.
“Foram dois dias ricos em aprendizados de produção rural, com pessoas que irão me marcar para sempre. Quem trabalha com os pés e as mãos, a inspiração tomou conta ao participar da visita ao quintal agroecológico da Renata. Na escola das irmãs foi de muito aprendizado. E no Graciano, aquele sorrisão dele contagiou. A história de vida tão difícil no início, mas com muita vontade de vencer na vida, e está conseguindo.”

No município de Piripiri, estão sendo implantadas 69 tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, entre elas uma barragem subterrânea, já construída, além de cisternas-calçadão e cisternas-enxurrada.
Até o momento, já foram construídas 24 cisternas-calçadão, de um total de 49 previstas, e nove cisternas-enxurrada, além da barragem subterrânea.
As tecnologias de captação e armazenamento de água da chuva são fundamentais para garantir maior segurança hídrica às famílias e criar condições para que os quintais produtivos sejam fortalecidos, especialmente durante os períodos de estiagem.

Para o animador de comunidade do CERAC, Francisco Rodrigues, a troca de saberes proporcionada pelo programa é fundamental para inspirar as famílias e fortalecer a produção de alimentos saudáveis no campo.
“O intercâmbio é fundamental porque geralmente as famílias visitadas são também beneficiárias do P1+2, que aceitaram a proposta do programa e vêm mudando suas vidas com o fortalecimento da soberania alimentar e da geração de renda nas comunidades atendidas. E essas novas beneficiárias levam toda essa bagagem de conhecimento para seus quintais, gerando mais qualidade de vida no campo e geração de renda.”

Mais do que conhecer novas técnicas de produção, o intercâmbio mostrou que a convivência com o Semiárido também é feita de histórias, experiências, solidariedade e conhecimentos construídos pelas próprias famílias agricultoras.
A troca entre os participantes reafirma a importância da agricultura familiar de base agroecológica, da conservação das sementes tradicionais e da valorização da biodiversidade. São saberes que circulam de comunidade em comunidade, de agricultor para agricultora, fortalecendo a autonomia das famílias e mostrando que o Semiárido é território de vida, produção, resistência e fartura.
Ao unir acesso à água, produção de alimentos saudáveis e troca de conhecimentos, o Programa Uma Terra e Duas Águas contribui para que cada vez mais famílias possam produzir, alimentar-se melhor e gerar renda sem abandonar seus territórios e seus modos de vida.